Claudio Caesco
Acalanto

AMOR ETERNO

Ora, posso enfim repousar,O meu coração tão singelo;Que parelha com um grande alarido,Embora sua singeleza e moral fossem constantes.
Meu coração que para tu é correia,Para os outros é quão pseudo,Para mim tem uma imensa virtude.Para entendê-lo precisa primeiro falar meu idioma;
Para amá-lo, é preciso ser original;Para telo, tem que ser verdadeiro.Não basta ser rico em pronúncia,Tem que ser grande em sentimento.
Pode ser escrito no papel amassado,Ou pode ser lido em papel de seda.Pode ser imortalizado em belos poemas,Mas tem que ser vivido por uma vida inteira.
Correia: tira em geral de couro.Alarido: clamor de vozes; algazarra.

— Claudio Caesco